terça-feira, 4 de junho de 2019

Sobre o direito de dirigir veículos automotores


Isso mesmo, é um direito, mas quem dá essa permissão é um órgão, o DETRAN. E aí, como ficam os pacientes neurológicos, ou aqueles que por algum motivo são barrados (por exemplo, pela psicóloga, reprovados no exame psicotécnico) ?

Cabe ao neurologista avaliar quem tem condições neurológicas para dirigir um veículo. Estamos falando da segurança do próprio condutor, de sua família e/ou amigos que estejam com ele no veículo e também das outras pessoas, pedestres e motoristas dos outros veículos. Afinal, BASTAM ALGUNS SEGUNDOS de desatenção ou perda da consciência para ter um acidente de trânsito.

Alguns pacientes não entendem esta responsabilidade e em casos mais severos até mentem para a autoridade do DETRAN, o que pode ter graves consequências jurídicas em caso de morte ou lesões corporais provenientes de um acidente (já que os danos materiais são secundários).

Assim, alguns pacientes com parkinsonismo, epilepsia, distúrbios motores, visuais, lentidão psico-motora, déficit de memória ou demência, mesmo que em fases iniciais, não têm capacidade de dirigir sem colocar a sua própria vida e a de outros em risco. Pense nisso. Se você conhece alguém ou algum parente nesta situação, procure o DETRAN e lá poderá ser orientado onde fazer os exames pertinentes e como proceder em cada caso.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

O que é microangiopatia ?

A microangiopatia cerebral, também conhecida como doença de pequenos vasos, é cada vez mais diagnosticada com a disponibilidade de exames de imagem como tomografia e ressonância magnética.

A microangiopatia cerebral é um reflexo da mudança patológica dos pequenos vasos cerebrais, o que inclui pequenas artérias, arteríolas, capilares e vênulas. Isso está associado com lesões de matéria branca, infartos lacunares, e, mais recentemente descrito, também com microssangramentos.

Não existe um quadro clínico especificamente relacionado, mas sintomas clínicos estão envolvidos: alterações de marcha, alterações urinárias, depressão e declínio cognitivo.

Os principais fatores de risco apontados em estudo são a IDADE e hipertensão arterial sistêmica, mas há dúvidas se não existe associação com outras condições como diabetes, dislipidemia e obesidade. Não há marcadores laboratoriais bem descritos, e o que foi estudado (d-dímero, homocisteína e PCR) se mostrou inconsistente.

Em recente estudo, os sintomas mais relacionados com a microangiopatia cerebral foram declínio cognitivo progressivo (38,1%), apraxia de marcha (27,8%), sintomas e convulsões associados a acidente vascular cerebral (24,2%), sintomas de AIT (22%) e vertigem (17%).

Quanto à localização anatômica, pode-se relacionar as lesões com sintomas da seguinte maneira:

Infartos lacunares e lesões de substância branca em lobo frontal se associaram a declínio cognitivo progressivo, apraxia de marcha, convulsões, sintomas associados a acidente vascular cerebral, sintomas de AIT, vertigem e incontinência;

Infartos lacunares e lesões de substância branca em lobo parieto-occipital se associaram a maior frequência de AIT, convulsões e incontinência;

Infartos lacunares e lesões de substância branca em núcleos da base se associaram a apraxia de marcha, vertigem e incontinência.


Bibliografia

Okroglic S, Widmann CN, Urbach H, Scheltens P, Heneka MT (2013) Clinical Symptoms and Risk Factors in Cerebral Microangiopathy Patients. PLoS ONE 8(2): e53455. doi:10.1371/journal.pone.0053455

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Toxina botulínica e Enxaqueca Crônica

A aplicação de botox para o tratamento de dores de cabeça surte efeitos somente em pacientes com enxaqueca crônica. A substância parece não ser relevante no alívio dos sintomas de dores de cabeça menos frequentes ou de cefaleia tensional – o tipo mais comum do problema entre adultos. Essas conclusões foram obtidas após pesquisadores da Faculdade de Medicina de Wisconsin, nos Estados Unidos, analisarem 27 trabalhos sobre o assunto. O estudo completo foi publicado nesta quarta-feira na revista Journal of the American Medical Association (JAMA).

CONHEÇA A PESQUISA
Título original: Botulinum Toxin A for Prophylactic Treatment of Migraine and Tension Headaches in Adults
Onde foi divulgada: revista Journal of the American Medical Association (JAMA)
Quem fez: Jeffrey L. Jackson, Akira Kuriyama e Yasuaki Hayashino
Instituição: Faculdade de Medicina de Wisconsin, Estados Unidos
Dados de amostragem: 27 estudos que envolveram, ao todo, 5.313 pessoas
Resultado: Tratamento com toxina botulínica para cefaleia surte efeitos de leves a moderados em casos de enxaqueca crônica, mas não em dores de cabeça e enxaquecas menos frequentes ou em cefaleia tensional
Segundo os autores do estudo, as cefaleias tensionais são caracterizadas pela tensão muscular na região do pescoço, nuca e cabeça. Cerca de 40% das pessoas, de acordo com os pesquisadores, experimentam o problema em algum momento da vida adulta, e a maioria não procura por ajuda médica.
A pesquisa se baseou em 27 estudos sobre os efeitos do botox no tratamento de enxaqueca que, no total, envolveram 5.313 participantes. Os autores do trabalho classificaram as dores de cabeça nas categorias: enxaqueca crônica (mais do que 15 crises por mês) ou episódica (menos do que 15 crises por mês); dores de cabeça crônicas ou episódicas e cefaleia tensional.
Resultados – Os pesquisadores observaram que o tratamento com botox reduziu moderadamente a frequência de dores por mês em pacientes com dores de cabeça e enxaqueca crônicas. De maneira geral, as pessoas que tinham algum desses dois problemas relataram ter, em média, de 17 a 20 crises ao mês antes de receberem tratamento com a toxina botulínica. Após 12 semanas do início do procedimento, elas passaram a ter duas crises a menos todos os meses.

Brasil – Em junho de 2011, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso da toxina botulínica para o tratamento de enxaqueca crônica em adultos. O órgão considera pessoas com a doença aquelas que apresentam dores de cabeça mais do que 15 dias por mês e crises com duração média de quatro horas cada.
A aplicação da toxina botulínica para migrânea crônica é feita atualmente seguindo o protocolo PREEMPT – 31 pontos de solução diluída em vários locais na cabeça e pescoço, bilateralmente, sendo repetidas as aplicações a cada 3 meses, por 5 vezes (total do tratamento, portanto, em 15 meses).

Vale ressaltar que protocolos de aplicações com menos pontos e menos repetições não foram considerados eficazes.

A toxina botulínica é em geral bem tolerada, com efeitos adversos leves e geralmente apenas nos locais de aplicação, de curta duração (basicamente, nas primeiras 24 horas). Estima-se que apenas 10% dos pacientes não respondam ao tratamento, principalmente pelo desenvolvimento de anticorpos contra a toxina.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

O que é insuficiência vertebrobasilar?

É uma rápida diminuição da irrigação sanguínea no território da artéria basilar, por compressão da artéria vertebral na altura das vértebras cervicais, entre C1 e C7, gerando sintomas neurológicos diversos, dentre os quais a tontura.
Ë um diagnóstico diferencial importante de tonturas pois a maioria dos pacientes acham que estão tendo "labirintite", quando na verdade têm uma diminuição do fluxo sanguíneo que inclusive pode preceder um acidente vascular da circulação posterior do cérebro.

Quais são as causas da insuficiência vertebrobasilar?
A causa mais comum da insuficiência vertebrobasilar é a aterosclerose. A artrose cervical e a presença de osteófitos também podem deflagrar a anomalia. Outras causas de compressão da artéria vertebral podem ser: compressão pelo músculo escaleno, pelo ligamento vertebropleural e pela aponeurose cervical profunda; rotação da vértebra Atlas (C1) sobre a vértebra Áxis (C2); espondiloartrose da coluna cervical; obstrução da artéria subclávia; malformação congênita das vértebras; déficit circulatório no sistema das carótidas internas; traumatismo cérvico-cefálico; luxação da coluna cervical; deslocamento brusco anteroposterior da cabeça; hipoplasia ou agenesia de uma das artérias vertebrais.

Qual é a fisiopatologia da insuficiência vertebrobasilar?
As alterações das vértebras cervicais que causam uma diminuição dos foramens vertebrais e outras anomalias morfológicas da área podem estrangular as artérias vertebrais que transitam pela região . A insuficiência vertebral pode demonstrar seus efeitos durante movimentos bruscos da cabeça, sobretudo rotação.

Quais são as principais características clínicas da insuficiência vertebrobasilar?
Os sinais e sintomas mais comuns da síndrome vertebrobasilar são náuseas, vômitos, sensação de desmaio, nistagmo, tontura, turvação visual, vertigens, disfagia, rouquidão, hipoestesia da hemiface, ataxia e hipoestesia térmica e dolorosa. Dependendo do nível do comprometimento circulatório, podem incluir a associação de ataxia, hemiplegia, lesão do sétimo nervo periférico, oftalmoplegia (paralisia dos movimentos dos olhos), surdez, zumbidos e mioclonia do palato (contração muscular súbita e involuntária dos músculos, devido à descarga patológica de um grupo de células nervosas).
A oclusão ou estenose da artéria basilar geralmente origina sinais bilaterais. O paciente geralmente relata vertigem postural nas rotações da cabeça e nos movimentos de flexão e extensão do pescoço, o que normalmente vem acompanhado de um quadro de sintomas de comprometimento da coluna cervical, como mialgia, dor de nuca, dores irradiadas aos ombros ou ao braço, parestesias nas extremidades e dores de cabeça.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Síndrome do Túnel do Carpo

A Síndrome do túnel do carpo é a compressão dolorosa (pinçamento) do nervo mediano, quando este passa pelo túnel do carpo no pulso.
Na maioria dos casos a causa é desconhecida.
Os dedos e a face palmar próximos ao polegar podem ficar dolorosos e você pode ter a sensação de formigamento e dormência.

O túnel do carpo recebe o nome de túnel por ser uma passagem estreita através da qual nervos e tendões passam pelo pulso para a mão. O túnel é feito por tendões, ligamentos e ossos adjacentes. O nervo mediano fica localizado na face palmar do pulso e passa pelo túnel do carpo. Este nervo confere sensibilidade ao polegar, dedo indicador, dedo médio e o lado do dedo anelar que fica voltado para o polegar.

Esta síndrome é muito comum, especialmente em mulheres de 30 a 50 anos. Ela pode afetar uma ou ambas as mãos; resulta da compressão (pinçamento) do nervo mediano, que por sua vez pode ser causada pelo inchaço do tecido adjacente ou dentro do túnel ou por bandas de tecido fibroso que se formam na face palmar do pulso.
Gestantes e pessoas que têm diabetes, hipotireoidismo, certas formas de amiloidose ou artrite reumatoide têm um risco aumentado de desenvolver a síndrome do túnel do carpo. Também estão em risco pessoas cujas atividades profissionais exijam movimentos de esforço repetitivo com os pulsos estendidos, como utilizar uma chave de fenda. Outro fator em potencial (mas controverso) é o uso do teclado do computador quando não estiver posicionado adequadamente. A exposição prolongada a vibrações (por exemplo, ao utilizar certas ferramentas elétricas) também foi tida como causa da síndrome do túnel do carpo. Porém, a maioria dos casos se desenvolve por causas desconhecidas.

Os sintomas são sensações estranhas, dormência, formigamento e dor nos três primeiros dedos e na metade do dedo anelar, no lado do polegar na mão. Em alguns casos a mão toda é afetada. Em muitos casos, também há dor e uma sensação de queimação ou formigamento no braço. As pessoas muitas vezes acordam durante a noite com uma sensação de queimação ou dor latejante com dormência e formigamento devido à posição da mão. A pessoa pode sacudir a mão para tentar recuperar a sensação normal. Com o tempo, os músculos da mão na parte dorsal podem enfraquecer e retrair-se pela falta de uso (atrofia).

O diagnóstico da síndrome do túnel do carpo é feito, principalmente, pelo exame da mão e do pulso afetados. Um médico pode fazer estudos de condução nervosa para se certificar de que o problema corresponde à síndrome do túnel do carpo, especialmente se estiver sendo levada em consideração uma cirurgia.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

CONSU N. 8, você sabe o que é ?



Esta resolução dispõe sobre os mecanismos de regulação dos planos de saúde.
Entre outras coisas, em seu art. 2o., parágrafo VI, consta:

É VEDADO - negar autorização para realização do procedimento exclusivamente em razão do profissional solicitante não pertencer à rede própria ou credenciada da operadora. (Redação dada ao inciso pela Resolução CONSU nº 15, de 23.03.1999, DOU 29.03.1999)

E no parágrafo IX:

IX - Reembolsar ao consumidor as despesas médicas provenientes do sistema de livre escolha, com valor inferior ao praticado diretamente na rede credenciada ou referenciada. (NR) (Inciso acrescentado pela Resolução CONSU nº 15, de 23.03.1999, DOU 29.03.1999)

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Isto significa que os pacientes que têm algum plano de saúde *PODEM ESCOLHER LIVREMENTE SEUS MÉDICOS*, mesmo que ele(a) não esteja na lista de médicos do plano e, caso este médico peça exames, o plano não pode se negar a liberá-los (sob pena de *multa* pela Agência Nacional de Saúde), não havendo nenhuma necessidade de consultar outro médico para "transcrever" pedidos de exames para "guias do convênio". O paciente também tem direito a um reembolso do valor da consulta. Há planos que reembolsam 100% do valor.

Pequeno detalhe: a multa que a ANS pode aplicar aos planos pode chegar ao montante de R$80.000,00 !

Você pode ler o texto da CONSU N. 8 em:
https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=96457

quarta-feira, 21 de março de 2018

LRRK2 e Doença de Parkinson

Mutações nesse gene têm sido associadas à doença de Parkinson tipo 8.

A mutação Gly2019Ser em LRRK2 é uma causa relativamente comum de doença de Parkinson familiar em caucasianos. [18] Pode também causar doença de Parkinson esporádica. O aminoácido Gly mutado é conservado em todos os domínios quinase de todas as espécies.

A mutação Gly2019Ser é uma de um pequeno número de mutações LRRK2 comprovadamente causadoras da doença de Parkinson. Destes, o Gly2019Ser é o mais comum no mundo ocidental, respondendo por ~ 2% de todos os casos de doença de Parkinson em caucasianos norte-americanos. Esta mutação é enriquecida em certas populações, sendo encontrada em aproximadamente 20% de todos os pacientes da doença de Parkinson Judaicos Ashkenazi e em aproximadamente 40% de todos os pacientes com doença de Parkinson de descendentes de árabes berberes do norte da África.

Inesperadamente, estudos de associação genômica descobriram uma associação entre LRRK2 e doença de Crohn , bem como com a doença de Parkinson, sugerindo que as duas doenças compartilham vias comuns.

Porque isso é importante ?
Uma grande vertente das pesquisas na Doença de Parkinson visa o tratamento (futuro) com terapia genética. O primeiro passo seria a identificação dos "trechos" no genoma humano responsável pela doença, viabilizando uma futura intervenção. No caso do Parkinson familiar, haveria em teoria a possibilidade de erradicar a doença !